sábado, dezembro 31, 2016

A desgraça, a sem graça e a nem de graça

Essa postagem tem a ver com gratidão e o agradecimento, que são coisas diferentes!

Não há o que não tenha a agradecer nessa vida. Sempre tem uma escapada, uma luz, uma cor a se reparar e uma coisa acima a se reconhecer, nem que seja acompanhado de um UFA!

Senti essa necessidade de escrever porque eu olhei em volta e percebi o quanto o mundo ficou grande! Tá difícil, agradeça, tá fácil, agradeça... nossa, quanta coisa boa, gente! Nem precisa ser budista!

Até que estava vendo o programa da Fátima Bernardes esses dias em que o Nelson Motta falava sobre a letra de Como uma Onda. O compositor dizia que essa canção serve para todos os momentos: o cara que está na fossa e canta "nada do que foi será..." O outro, que está numa boa, percebe que aquele momento será passageiro! E as coisas não são assim? As pessoas, o mundo, as relações.

Uma coisa é o agradecimento, a outra, a gratidão. Tem gente que agradece mas não é grato. Tem outros que não agradecem e nem são gratos. Tem aqueles que nem são gratos nem agradecem. E tem os filhos da puta! Bem, mas nem vamos falar disso nesse momento!

Vou falar dos meus amigos e da minha família! Essas pessoas dão e não esperam agradecimento. Como sou grata... talvez falte falar o quanto eu sou admiradora dessa galera. Bem, agradeço de coração pela despedida de 2015 para me preparar para 2016. Estamos aqui juntos, preparados para 2017. Isso é que é graça!

Graça faz esse povo pra me fazer sorrir! Obrigada, 2016!

terça-feira, dezembro 06, 2016

Balanço geral

Sempre fui uma pessoa forte. Essa minha força já me levou a ser comparada com a Mônica, minha personagem preferida. Coincidência ou não, vermelho também a minha cor preferida. Vermelho é forte. Porém, assim como todas as palavras da nossa língua, a pragmática não dá conta em regrar uma só forma de interpretar em todas as cabeças humanas. Portanto, força tem duplicidade (ou triplicidade) nos significados.

Significados, cabeças e pessoas. Colocar três palavras de tanta força em uma só frase? Só para os fortes... aqueles que, na minha concepção I M E D I A T A, são dotados de cara para bater! Ninguém disse que é fácil. Mas como o êxtase é intenso... Amanhã posso me sentir frágil, mas aí vai ser o dia de amanhã.

Eu sei o que é acordar todos os dias sozinha! Vivi essa experiência por um ano inteiro morando no exterior. No começo (no meio e no fim), quando o clima amanhecia frio e chuvoso, me dava muito desânimo e me sentia sem força. Eu tinha esse direito porque eu sei a força que fiz para poder estar ali e viver aquilo. Teve dias que eu nem levantava. Mas isso acontecia porque eu tinha a certeza que um dia de sol viria e ia me dar a luz necessária para caminhar e seguir em frente. E ele vinha!

Quando o sol saía me dava tanta vontade de ver gente! Aí eu bebia, eu comia, olhava as pessoas, fotografava, me fixava nas cores diferentes das abelhas e na vegetação que ia todos os dias mudando. Acho que eu nunca tinha reparado no ressecamento e no re-florescimento dos jacarandás, que são árvores nossas, da América. Os jacarandás fazem parte do cenário da cidade que vivi. Engraçado. Ah, o mesmo acontecia com os ipês amarelos!

A respeito dessas árvores, tinha gente que estava ali estudando a maneira como se extrai DNA para poder aplicar aqui. Posso estar falando uma enorme besteira porque eu não sou botânica, mas foi por causa disso que pude conhecer uma pessoa que me foi muito oportuna e me trouxe muita força! Ali eu tinha certeza que estava semeando, somando e podendo ser eu, talvez pela primeira vez, assim, em português claro! Engraçado é que quando a gente está frágil, abre a guarda para qualquer coisa. Não foi o caso da agrônoma, que agora vai ser mãe da Ana Clara, claro! E justamente por isso, digo que tive sorte nessas aberturas! Quanta coisa veio. Se abrir é coisa para os fortes!

Você acha que sabe falar espanhol até chegar a morar na Espanha. Acho que todo mundo que estuda a língua antes de ir morar em um outro país acha a mesma coisa que eu achei. Até eu aprender que achar é encontrar em Espanhol e achar mesmo por achar, é crer! Crer é uma palavra muito forte! Daí cheguei à conclusão de que creio em Jesus, na família e no amor verdadeiro! Creio também que existe gente muito boa que nunca me demonstrou e que existe muita gente ruim que sempre me demonstrou coisa boa! Agora... o que creio mesmo é que a competência e a humildade andam lado-a-lado, nunca separadas!

Força nas palavras é a mensagem que você manda ao universo! Isso eu aprendi muito bem! Palavras essas de agradecimento aos dias chuvosos de cama, por ter gás para os banhos quentes, por ter uma outra amiga que deu a cara a tapa para ser minha fiadora e depois me deu afeto, abrigo e riu comigo, me deu camarão, lagosta, vinho e novas oportunidades, até eu confiar mais no meu taco depois do tombo que eu levei na escada!

Força mesmo eu fazia para subir 4 andares de escadas com compras, sem elevador. Fazia força para andar pela cidade de bicicleta e para ser aceita em uma cultura diferente! Nisso eu tive muito êxito... aos trancos e barrancos... pude até treinar uma série de "palavrotas" em cima de uma só pessoa, cada uma devidamente pronunciada, que daria orgulho ao meu professor de espanhol no Brasil. Xingar em espanhol um espanhol é para os fortes, pois ali as palavras têm muita força!

O que não dá é para forçar a barra! Encontrar o tal caminho do meio de Buda é muito difícil para mim: uma pessoa de extremos! Porém, o caminho do meio também depende de força de vontade e de energia. Talvez seja este o caminho mais tortuoso, o mais cheio de obstáculos e o que tem mais buracos. O caminho do meio é para os fortes!

Voltei. Descobri que o Brasil também é para os fortes! Então, não dá para escrever aqui sobre a crise, a política, a falcatrua, a traição, o desrespeito e a falta de profissionalismo. Eu optei pelo caminho do bem e ele é feito para as pessoas fortes! Feliz ano novo!

quinta-feira, novembro 10, 2016

Carta anônima à amiga desaparecida

A nossa amizade sempre se destacou em opostos: a gorda e a magra, a porra louca e a sensata, a grande e a criança, a ruim e a boazinha, a da Caloi Cross e a da Cecizinha. Sempre achei excêntrica a nossa parceria... a coisa mais legal da minha vida... porque sempre gostei de abacaxi com lombo, queijo com goiabada e o bem com o mal. Nós, a preta e a branca, com metros de altura e larguras de inteligência: que exótico!

Crescemos. E nós crescemos em decisões. Você, a profissional da saúde que brinca de Deus. Eu, a profissional de Design que usa os dons dados por Deus. Você com seus deuses e eu com o meu próprio, apesar de que tenho alguns intermediários da fé. Bem, acerca da nossa escolha a certeza de que somos opostas. Você, a preta magra, eu, a gorda branca. A gente de certo nunca combinou. Mas nossa, como você me completava!

Eu, aquele menininho que investia no Balão Mágico. Você, o mulherão que escutava Milton Nascimento. As suas bonecas davam de mil a zero nas minhas bolinhas boladas bolas de gude! Sempre deu! Você, bolada... shhhhhhhh!!!

Até em termos de língua somos diferentes! Você escolheu a língua do corpo para ganhar a vida, a língua inglesa para se profissionalizar, a linguagem pragmática para viver. Eu, hotdog, New York, Superman, a semiótica das palavras e dos gestos, a língua do coração vazio.

Dói! Mas ensaio dias e dias o contar da minha vida, o passar das palavras, as contas do pensar. O álcool já tentou me explicar aquilo que já chegamos às conclusões coletivas. Só que dessas vezes você não estava. Ele me ajudou a me calar.

Sabe o que eu acho? Que eu ainda te quero perto, mesmo que longe. Que as expectativas são rapsódia para a poesia das nossas vidas. A vida está passando rápido e eu preciso de você(s).

Tá passando... eu tenho medo. Duramos pouco. Te amo.

terça-feira, novembro 01, 2016

O pós - uma tentativa de reposta

Bem, ficou evidente que voltei após uma longa (ou breve) estadia no exterior. Longo, curto, muito ou pouco está dentro de cada um. O interessante é que isso faz parte das expectativas alheias. Meu pós está atrelado à minha larga exposição e estou sendo levada a refletir em como não decepcionar o entrevistador a respeito da minha própria experiência.

Deixa eu explicar... enquanto fazemos ou tomamos a iniciativa de fazer aquilo que pouca gente faz, nós mesmos romantizamos a experiência. Por mais que aja um planejamento e um investimento não fazemos ideia de como aquilo realmente será. Até porque, no caso de morar fora do país vamos lidar com culturas distintas e receptividades um pouco aquém das desejadas. Tudo o que vai ser vivido vai depender da maneira que a pessoa encara a própria vida. Por isso respeito as pessoas que estão por aí quebrando paradigmas e protocolos até sem mesmo sair de casa.

A respeito da superesposição, talvez as fotografias postadas com comidas, bebidas e festas sejam reflexo daquilo que encaro como sendo parte da formação cultural do indivíduo. Também, por mais que eu tenha me dedicado a textos, aulas e horas na faculdade não gerei fotos tão atrativas com esse tema. Isso faz com que boa parte das pessoas acreditem que um ano no exterior foi "só farra"! Vamos refletir?

Conheci pessoas nessa jornada ali na Espanha que se predispuseram a comer exatamente as mesmas coisas que comiam no Brasil. Além disso, tiveram aquelas que fizeram poucas amizades. Também me deparei com diversas que ali estavam em festa com o dinheiro público brasileiro. Bem, acerca disso, sem tecer julgamentos prévios, a festa também é importante, mas não é tudo. Difícil é saber que esse investimento sai dos impostos que, mesmo eu investindo do meu próprio bolso e do da minha família, não parei de pagar no Brasil. Aí vai da própria ética do indivíduo.

Para a se estudar fora do país o planejamento não é imediato e não acontece de uma hora para a outra. O sonho acontece lá atrás e as ferramentas são buscadas aos poucos. Na verdade, realizar sonhos demanda muito empenho! Graças a Deus estou ficando especialista nisso. Portanto, responder acerca dos planos agora é um tanto quanto injusto. Afinal de contas, ainda estou em meio ao projeto, reacostumando com a minha antiga vida e com as mesmas coisas, com a cabeça explodindo: confesso.

A rede social nesse tempo foi um diário coletivo. Talvez o que foi publicado fosse uma tentativa de compartilhar a atmosfera do momento. Compartilhar o ovo frito no prato faz parte de um processo de compartilhamento das emoções com quem se gosta, pelo menos no meu caso. Comer, beber, dançar, estudar, passear... julgar... cada um explora a conversa, não da maneira que profere, mas da maneira como observa. "A Kitty é movida à gente" - essa foi a frase mais verdadeira que escutei a respeito de mim.

Os resultados, como sempre, são processo de construção. Ando por aí respondendo as mesmas perguntas interlocutando diferentemente para cada abordagem, refletindo sobre essa minha experiência gorda, bêbada e viajandona! Legal saber que eu fazia falta!

segunda-feira, setembro 26, 2016

Círculos, triângulos e quadrados

Uso as três formas básicas do Design alemão, do desenho da vida e das várias representações para dar título ao último suspiro da vida estrangeira! Daí, venho utilizar a máxima "acabou o milho, acabou a pipoca" para ilustrar o momento!

Tenho várias notícias boas e muitas más para o êxito... das boas, ainda sou Flamengo, Mangueira e lésbica... aliás, sou Ariane... para manter o clichê, se ela fosse uma lâmpada, eu seria eletricista! Então, sou Flamengo, vendi o Fusca e o violão para estudar e tenho uma nega para assistir TV à cabo! É isso!

Das más, começo por aquelas em que eu volto mais terrível do que nunca! Agora, ao invés de virar 16 palitos de dente no bar, minha boca sustenta 20... sei chingar em espanhol, conheço as desvantagens de se morar fora e, se me perguntarem: "ao ir à Europa, o que posso fazer?", respondo: "vá à Espanha!" - Até porque eu não saí dela em um ano! Talvez eu volte à Espanha nas próximas viagens, e mais e mais! Olha, melhor do que ir à Disney, creio eu! Tipo cachaça! Ah, e para conhecer a Espanha, talvez não seja tão necessário ir à Barcelo, apesar de lá ser muito legal!

Das andanças por aqui, os "pueblos" (aquelas cidadezinhas tipo Quatis), são as grandes descobertas! Se come bem, se conhece gente, mas, muito mais do que isso, a paisagem muda muito! Amo mudar de paisagem! E, se me perguntarem sobre o que se faz de melhor viajando, digo: "o melhor é se perder!"

Agora sobre a cultura... tudo é diferente... aceite (um trocadilho)! O espanhol é diferente do português, assim como a vivência da língua é diferente para qualquer pessoa. Porém, aqueles bens humanos como gentileza, afeto e humildade, funcionam em qualquer parte da Espanha! Amo a troca e a aproximação, assim como a música e a conversa. Os espanhóis amam pessoas que cantam e entendem de música brasileira! Então, em termos da musicalidade, tiramos de letra! Isso ajuda muito no item "fazer amigos" da viagem!

Em relação ao tempo de estadia... cada um tem o seu... eu, de 40 anos, com facilidade de comunicação, mas com algumas restrições de moradia, um ano foi bem justo! Não dá para viver a cidade, a adaptação, as pessoas, as encanações, a saudade, o coração e a escolha com menos que isso! Confesso que fiquei com saudades, com medo, restrita e aberta em demasia... mas viveria tudo de novo! Acho que só abriria mão do tombo que eu levei na escada.

Uma das coisas mais difíceis em se trabalhar é a expectativa dos que ficaram na terrinha. Só que tem uma coisa... a base é a que sobressai... ou seja, o amor de verdade é o que mais conta nas pirações individuais... Bem, me abrindo aqui, não se tem dinheiro para o que se quer, sempre se questiona acerca dos objetivos e, "o infinito particular" tipo Marisa Monte tem muitas cores e tamanhos ao longo da via. Agora, o "faça a sua parte" e o "não se perca ao entrar", fazem o maior sentido em uma tomada de decisão como essa! O amor é fundamental!

Não tenho como explicar aqui sobre a principal pergunta que mais me fizeram ao longo da minha estadia: "valeu a pena?" Bem, como em todo e qualquer ensinamento só se digere depois, só se colhe depois. Raciocinando sobre o atual comportamento da maioria das pessoas, posso sugerir que o pagamento da colheita só vem depois que se planta, nunca antes. Por isso não desisti de vir. Sei que colherei muito, pois o investimento foi grande.

Estou aqui em vias de ir embora, super acolhida com a vinda de amigos, com a minha ida para ver outros pela Espanha e digo que só tenho que agradecer... tantas e tantas revelações e demonstrações de afeto apareceram, que nem tenho coragem para pedir. Uma coisa certa... para pedir, venha à Espanha. E para agradecer também: aos amigos antigos e novos, aos telefonemas com horas de conversa, ao gin de morango, ao jamon, às juderias, rios, pontes, overdrives, gentilezas, à Jesus e aos Jesuses, ao Antônio, Antônios e Antônias... à Dany, Dani e Ariane... ao papai do céu, ao papi na terra e às mães! Bem, aos amigos que deixo e àqueles para os quais eu volto.

E a tese? Deixa comigo! Agora me pergunte sobre a vida... aquela que vem pela frente!

terça-feira, julho 19, 2016

Amém, Jesus!

Já começo o post levantando o nome de Deus em vão! Hoje, os ateus que me perdoem, os fanáticos religiosos também, pois vou fazer isso algumas vezes durante o texto. Cristãos, não farão mais do que a obrigação, ateus não passarão... pararão por aqui! Tchau!

Faremos um mini flashback: 02 de abril de 1975. PORRAN! FLASHBACK pacas! Papai e mamãe, felizes com a minha chegada, decidem meu nome: Cristiano! Ele foi escolhido porque conheciam um rapaz muito legal na igreja, no grupo de jovens no qual lideravam. Bem, só não levaram em conta o acaso de eu poder nascer menina. "Tá, põe Cristiana então!" Nasci assim... com nome e sexo femininos e uma super vontade de ser menino (mais legal, né!?)! Culpa deles!

O nome Cristiana no Brasil não tem tanta relevância literal com seu significado. Aliás, Brasileiro passa meio batido para os sentidos dos nomes. São escolhidos mais pela sonoridade mesmo em sua maioria: Suélen, Wanderson, Welinson, Stéfanie... quanto mais abrir a boca, mais importante. Esse assunto de nomes esquisitos brasileiros já renderam horas e horas de conversa nos bares. Cristiana poderia ser nome de macumbeiro, cardecista, budista e até ateu, numa boa, assim como Benedito, Maria ou José.

Na Espanha, Cristiano é cristão de fato. Quando me apresento aqui tenho que falar diferente da maneira comum das pessoas se apresentarem. Ao invés de "encantada, soy Cristiana", tenho que dizer "encantada, mi nombre és Cristiana". Pessoas aos montes já me olharam com cara de "e eu com isso?" quando empreguei a primeira forma. Sim, porque ninguém tem nada a ver com a sua religião e pouco quer saber para que lado você toca o seu tambor (deveria ser assim)! Alguns momentos me obrigaram a complementar: "mi padre és cristiano!"

Eu sou católica! Tenho muitos motivos para ser, religiosos ou não. Tenho fé pra casseta! Mas o umbandista aqui não seria reconhecido, com fé ou não. Aqui não tem essa galera animada! Porém, já pararam para pensar que a Andaluzia é a casa da Pombagira? As ciganas estão por toda parte sapateando! É um luxo! A Espanha é muito doida... na Galícia a bruxa celta, queimada na fogueira existiu... para nós brasileiros, que às vezes mandamos uma tatoo de olho celta, cruz celta, estrela celta, mal sabemos que seu significado é forte! Aqui a macumba é ao vivo e à cores... com nome aos bois, e às vacas sagradas! Já ouvi falar de magia negra, mas não da branca.

O curioso é que meu professor e orientador se chama Jesus. Apesar do Brasil ser (ainda) predominantemente católico, esse nome a gente não encontra muito. Pois bem, Jesus orienta Cristiana e Milagros. Milagros, Mila, é uma amiga da faculdade! Sim, foi ele que me trouxe para cá, com palavras de bondade e compreensão, aceita meu tempo e é muito generoso. O curioso é que Jesus é ateu! Pasmem!

Outra coisa que a gente vive como reality show religioso na Espanha são as festas das igrejas. Tem uma coisa que é igual ao Brasil: enquanto a procissão não começa, a galera espera no bar. Quando o evento acaba, as pessoas vão pro bar. Os que trabalham no evento, literalmente carregam aquilo nas costas. Tem os personagens, assim como a nossa folia de reis, só que esses cargos são legitimados e levados às últimas consequências! O cara tem crachá, pertence à irmandade, assim como seu pai e sua mãe, tem medalha, chapéu e porta um bastão dourado (destaque de carro alegórico). Meio carnaval, meio semana santa, meio presépio... No dia de São José, que caiu no meio da semana santa, tive que contar uma super história triste para pagar a minha promessa para um padre que estava ali fora da igreja. Eu não podia entrar porque eu não tinha roupa... sério! O traje era aquele cone com a cara tapada... o mesmo que colocavam no cara antes de queimá-lo na santa inquisição. Um luxo! O padre ajudou porque eu disse que era de Barra Mansa! O padre já rezou missa em Resende. Por isso, nunca negue suas origens!

Voltando ao assunto da roupa com cone na cabeça, esse personagem se chama "nazareno", aquele que peca e não tem cara! Às vezes esses caras saem descalços para as penitências! Me disseram (não sei se é verdade) que quanto maior o cone, maior o pecado. Só que tem criancinha que usa também... fico imaginando que brinquedinho aquele danadinho roubou na escolinha ou se ele mostrou o pintinho pra amiga... Tem outra roupa que é um saco de estopa amarrado na cabeça. Esse cara, o "costaleiro", junto com mais uns 30 caras, carregam ou um Jesus muito antigo ou uma Nossa Senhora que chora, também, muito antiga nas costas, sustentados por uma caixa de metal revestida com madeira. Pensa no peso... E sabe, nem acho que eles pecam tanto... até agora não vi ninguém armado na rua.

Se você é ateu e chegou até aqui, essa palavra é para você. Kitty, a pastora semioticista, tem um recado para você... já me deparei com uma série de pessoas com o nome Antônio. Santo Antônio na Europa é o protetor da oratória. Esses caras já pintaram na minha frente após muitos motivos que só eu sei. Um deles foi quando duvidaram ou me criticaram por eu não falar espanhol e recebi elogios por eu falar SIM. Nesses encontros eu sempre pedi um namorado pra minha irmã... vai saber... O amor estava presente em cada aparição...

Sobre ser a-teu, nega Deus. Ou seja, é um paradoxo da existência prévia! Fica com Deus, que Santo Antônio o acompanhe! Mas uma coisa eu te digo... nunca vi um ateu dirigindo um carro-bomba ou batendo em homossexual. Talvez fosse a hora de você fundar uma seita.

Esse post é para dizer que, independente da religião, se você for cristão ou não, o respeito e amor ao próximo devem prevalecer. Agora, a pessoa que acredita no Nosso Senhor Jesus Cristo, o salvador, deve se lembrar que ele era um cara simples, que andava a pé, caminhava pelo deserto espalhando amor! Ele seria O CARA da parada gay, assim como o do orfanato, do hospital, da cadeia... Jesus não pisaria em Brasília! O meu Jesus é foda, pense no seu, de verdade! Pronto, falei!




Amém, Jesus!

Já começo o post levantando o nome de Deus em vão! Hoje, os ateus que me perdoem, os fanáticos religiosos também, pois vou fazer isso algumas vezes durante o texto. Cristãos, não farão mais do que a obrigação, ateus não passarão... pararão por aqui! Tchau!

Faremos um mini flashback: 02 de abril de 1975. PORRAN! FLASHBACK pacas! Papai e mamãe, felizes com a minha chegada, decidem meu nome: Cristiano! Ele foi escolhido porque conheciam um rapaz muito legal na igreja, no grupo de jovens no qual lideravam. Bem, só não levaram em conta o acaso de eu poder nascer menina. "Tá, põe Cristiana então!" Nasci assim... com nome e sexo femininos e uma super vontade de ser menino (mais legal, né!?)! Culpa deles!

O nome Cristiana no Brasil não tem tanta relevância literal com seu significado. Aliás, Brasileiro passa meio batido para os sentidos dos nomes. São escolhidos mais pela sonoridade mesmo em sua maioria: Suélen, Wanderson, Welinson, Stéfanie... quanto mais abrir a boca, mais importante. Esse assunto de nomes esquisitos brasileiros já renderam horas e horas de conversa nos bares. Cristiana poderia ser nome de macumbeiro, cardecista, budista e até ateu, numa boa, assim como Benedito, Maria ou José.

Na Espanha, Cristiano é cristão de fato. Quando me apresento aqui tenho que falar diferente da maneira comum das pessoas se apresentarem. Ao invés de "encantada, soy Cristiana", tenho que dizer "encantada, mi nombre és Cristiana". Pessoas aos montes já me olharam com cara de "e eu com isso?" quando empreguei a primeira forma. Sim, porque ninguém tem nada a ver com a sua religião e pouco quer saber para que lado você toca o seu tambor (deveria ser assim)! Alguns momentos me obrigaram a complementar: "mi padre és cristiano!"

Eu sou católica! Tenho muitos motivos para ser, religiosos ou não. Tenho fé pra casseta! Mas o umbandista aqui não seria reconhecido, com fé ou não. Aqui não tem essa galera animada! Porém, já pararam para pensar que a Andaluzia é a casa da Pombagira? As ciganas estão por toda parte sapateando! É um luxo! A Espanha é muito doida... na Galícia a bruxa celta, queimada na fogueira existiu... para nós brasileiros, que às vezes mandamos uma tatoo de olho celta, cruz celta, estrela celta, mal sabemos que seu significado é forte! Aqui a macumba é ao vivo e à cores... com nome aos bois, e às vacas sagradas! Já ouvi falar de magia negra, mas não da branca.

O curioso é que meu professor e orientador se chama Jesus. Apesar do Brasil ser (ainda) predominantemente católico, esse nome a gente não encontra muito. Pois bem, Jesus orienta Cristiana e Milagros. Milagros, Mila, é uma amiga da faculdade! Sim, foi ele que me trouxe para cá, com palavras de bondade e compreensão, aceita meu tempo e é muito generoso. O curioso é que Jesus é ateu! Pasmem!

Outra coisa que a gente vive como reality show religioso na Espanha são as festas das igrejas. Tem uma coisa que é igual ao Brasil: enquanto a procissão não começa, a galera espera no bar. Quando o evento acaba, as pessoas vão pro bar. Os que trabalham no evento, literalmente carregam aquilo nas costas. Tem os personagens, assim como a nossa folia de reis, só que esses cargos são legitimados e levados às últimas consequências! O cara tem crachá, pertence à irmandade, assim como seu pai e sua mãe, tem medalha, chapéu e porta um bastão dourado (destaque de carro alegórico). Meio carnaval, meio semana santa, meio presépio... No dia de São José, que caiu no meio da semana santa, tive que contar uma super história triste para pagar a minha promessa para um padre que estava ali fora da igreja. Eu não podia entrar porque eu não tinha roupa... sério! O traje era aquele cone com a cara tapada... o mesmo que colocavam no cara antes de queimá-lo na santa inquisição. Um luxo! O padre ajudou porque eu disse que era de Barra Mansa! O padre já rezou missa em Resende. Por isso, nunca negue suas origens!

Voltando ao assunto da roupa com cone na cabeça, esse personagem se chama "nazareno", aquele que peca e não tem cara! Às vezes esses caras saem descalços para as penitências! Me disseram (não sei se é verdade) que quanto maior o cone, maior o pecado. Só que tem criancinha que usa também... fico imaginando que brinquedinho aquele danadinho roubou na escolinha ou se ele mostrou o pintinho pra amiga... Tem outra roupa que é um saco de estopa amarrado na cabeça. Esse cara, o "costaleiro". Junto com mais uns 30 caras, carregam ou um Jesus muito antigo ou uma Nossa Senhora que chora, também, muito antiga nas costas, sustentados por uma caixa de metal revestida com madeira. Pensa no peso... E sabe, nem acho que eles pecam tanto... até agora não vi ninguém armado na rua.

Se você é ateu e chegou até aqui, essa palavra é para você. Kitty, a pastora semioticista, tem um recado para você... já me deparei com uma série de pessoas com o nome Antônio. Santo Antônio na Europa é o protetor da oratória. Esses caras já pintaram na minha frente após muitos motivos que só eu sei. Um deles foi quando duvidaram ou me criticaram por eu não falar espanhol e recebi elogios por eu falar SIM. Nesses encontros eu sempre pedi um namorado pra minha irmã... vai saber... O amor estava presente em cada aparição...

Sobre ser a-teu, nega Deus. Ou seja, é um paradoxo da existência prévia! Fica com Deus, que Santo Antônio o acompanhe! Mas uma coisa eu te digo... nunca vi um ateu dirigindo um carro-bomba ou batendo em homossexual. Talvez fosse a hora de você fundar uma seita.

Esse post é para dizer que, independente da religião, se você for cristão ou não, o respeito e amor ao próximo devem prevalecer. Agora, a pessoa que acredita no Nosso Senhor Jesus Cristo, o salvador, deve se lembrar que ele era um cara simples, que andava a pé, caminhava pelo deserto espalhando amor! Ele seria O CARA da parada gay, assim como o do orfanato, do hospital, da cadeia... Jesus não pisaria em Brasília! O meu Jesus é foda, pense no seu, de verdade! Pronto, falei!




sexta-feira, julho 15, 2016

Carta aberta à minha irmã

Eu nasci e você tinha 6 e meio. Tá certo que você tentou me matar um par de vezes, alternando em métodos e motivos, além de também ter simulado perigos consigo mesma para ter a atenção de todos, mas a causa sempre foi justa: você era a única e tinha toda atenção... indivisível, diga-se de passagem! Mamãe e papai são loucos por ti.

O seu "serumaninho" é complexo. Bastou aí uns 30 anos ou mais para você ser a responsável por salvar a minha vida mais de um par de vezes. Você passou a ser única em nossas vidas. Ironia do destino, sina ou carma? Não sei, mas também eu não sabia que estava sofrendo tentativa de homicídio. Naquele momento era só diversão. A criança (que era eu) já percebia que todo aquele amor já não seria capaz de matar, mas de salvar. Cara, como você salva!

Sempre foi amor demais, pra se lambuzar! O engraçado é que todo mundo que está ao seu lado sabe disso. Tem gente que até abusa, mas você gosta! Eu abuso, mas eu posso porque sou para ti também a única, aquela que você escolheu cuidar na outra encarnação e porque eu compenso. Meu amor, apesar de não aparecer muito, te envolve e te protege como um domo. Você sabe! "Dany under the dome"

Estive pensando aqui no meu retiro que os valores mudam muito, né!? Lembro das vezes que briguei porque eu não tinha uma camisa da Company como você e que você pegou meus chaveiros da coleção para fazer de broches porque era moda. Olha como são as coisas... a Company faliu, a mãe morreu e eu nem sei onde está a coleção de chaveiros. Uma coisa não muda: você com certeza sabe onde está essa coleção porque está aí na casa do pai jogando tudo fora e arrumando até o que não tem para arrumar!

Tem uma piada velha que é aquela sobre as nossas diferenças: "Meus pais têm duas filhas: uma LINDA e a outra criativa." "Tem uma filha que faz MEDICINA e uma outra lá que faz design." "Como pode tanta semelhança no rosto e tanta diferença nos cabelos, gente? Santa genética!" Mas a que eu gosto mais é aquela: "Eu e minha irmã somos iguaizinhas, mas ela brinca de Deus!" Você vê tanta luz que não enxerga a ruindade das pessoas com facilidade, já eu, não vou pro céu mesmo! Você é tão afortunada que não tem mais nada a receber... nesse ponto empatamos: eu tenho você!

Você é a melhor coisa que me aconteceu e ainda bem que eu não morri lá no começo. E ainda bem que você parou de fumar... eu não aguentaria se você fosse antes de mim! Nossa, que post mais macabro no dia do aniversário, né!? Taí outra diferença entre nós: você é BEM mais velha do que eu, mas não tem uma ruga! Depois passa a receita do Renew do Xingu pro povo!

Te amo! Fica com Deus e chega logo! To limpando a casa todo dia com medo de você achar alguma sujeira! Se divirta como se não houvesse o amanhã, que é 16. Então, o amanhã tá próximo... corra!

sábado, julho 02, 2016

A vida é um layout onde o internauta diagrama muito bem

Essa frase do título surgiu após a defesa de qualificação de doutorado de uma amiga que questiona a experiência como mercadoria. Daí, algumas coisas me obrigam a reflexionar a minha própria vida. Será que postagens nesse blog não seriam um reflexo das buscas diárias da vida? Vou explicar após passar calor na rua à toa!

Quando saio de casa a bateria e a memória do telefone são sistematicamente checadas. Já passei por problemas do tipo, ter que voltar para casa depois que a bateria "arriou" ou passei a mandar fotos aleatórias para os amigos via wattsapp depois do celular pedir clemência pela sua perda de memória. A vida real me desinteressou e isso é muito grave! Não se pode mais sair às ruas somente para observar e associar, é preciso registrar. Só que eu estou realmente sozinha. Imagina isso se passando com as pessoas que estão cercadas de pessoas no seu dia-a-dia!?

Comigo a coisa começou meio ao revés desses relatos. Cheguei à Espanha de peito aberto em busca de novos amigos e novas trocas. Hoje, após 9 meses de Sevilha faço uma pergunta: "Quanto tempo levo no meu país até solidificar uma amizade?" Pois, o que se leva dos amigos de fato? O tempo? A maturidade? As experiências ou as fotos no Facebook? Aqui tudo tem que ser depressa... tá acabando! É uma terrível constatação! Ou nós realmente queremos em uma vida a sós fora do país?

A pior pergunta para mim hoje é: "você acha que valeu a pena?" Olha, com 40 anos e uma vida construída posso pedir um tempo para responder? Ou a minha vida tem que realmente ser a minha timeline? Dá pra solidificar a experiência e dar respostas nos seus devidos tempos ou eu devo ser julgada em tempo real? Quem tá filmando?

Poderia passar laudas e laudas aqui com as minhas verdadeiras intenções. Sei que muita gente tem vontade de fazer o que a gente faz. Aliás, muitos passaram antes de mim e me espelhei muito em suas vidas até tomar a minha própria decisão após os 40 anos! E olha que decisão mais horrível: Quem em sã consciência, com um relacionamento estável, com um álbum tão recheado de amigos e trabalhando na empresa tal em um cargo de gerência (5 estrelas no Linkedin... se é que existe isso) tomaria a decisão de passar um ano fora do país, longe fisicamente da sua família com o pai idoso e recheada de gente querida? Gente doida ou gente conectada?

Talvez os viajantes dos anos 90 fossem mais ousados do que eu. Talvez aquela Amsterdã fosse mais tóxica naqueles tempos ou as praias nudistas do Mediterrâneo fossem mais ousadas... mas pasmem... esse mundo conectado nos permite buscar as experiências que as outras pessoas têm em TODAS as partes do mundo no Google. Até filmes de papparazzi nas praias naturistas da Itália a gente encontra. Sim, dá pra ver até a posição que você vai transar em Ibiza durante o verão. Só que é o seguinte, a antecipação, o planejamento e a rota previstos em sua viagem podem ser realmente frustrantes! Nunca a experiência do outro vai ser a sua própria! A gente escolhe hotel pelos 90% de aceitação do público e não compra carro antes de visitar o Reclameaqui, mas não considera a chatice do outro. Ninguém quer mais se aventurar na Ilha Grande e conhecer a praia deserta sem TripAdvisor. Tá assustador viver das experiências... dos outros!

As relações com produtos parecidos com aqueles que você já consumia em seu país no supermercado retratam muito do que você é na sua vida com essa busca de "novas experiências". Será que é realmente necessário ter novos amigos temporários tão divertidos quanto àqueles já adquiridos? Novos amigos, novas vidas novas frustações, novos enlaces e desenlaces. A diferença está em querer ou não ser um novo VOCÊ! Dá para provar o seu próprio sabão em pó sem perguntar à tia ao lado? Talvez não...

Já fez o teste em sair sem ninguém e com o celular ali só para emergências? Quem vai querer te acompanhar ou quem vai querer ver as suas fotos remete à angústia de hoje: "quem vai ler este post"?

Fiquem com essa e olhem os girassóis. Logo logo você estará em casa com o que você tem de concreto que é a sua família, seu emprego, suas relações, seus gibis... porque a vida, apesar de ter blogs e instagrams, ainda necessita das quatro operações matemáticas... e pior... dos 4 sentidos.

terça-feira, junho 28, 2016

As redes sociais e os anos 80

Depois da última postagem filosófica e meio deprê, hoje conversando com um amigo eu tive a ideia de falar dos padrões de comportamento nas redes sociais para fazer a vida ficar um pouco mais divertida. Apesar dos 8 trabalhos a finalizar e 2 congressos batendo à porta, sessões de fisioterapia para fazer e um apartamento inteiro para limpar, achei que isso seria muito importante!

Bem, comecei a reparar que eu tenho reações bem adversas de humor e de estado de espírito na internet. Até porque sou daquelas que se irritam facilmente com certos tipos de mensagem no wattsapp e considero que o Facebook é para diversão na maioria das vezes e, para reflexão, com quem permite. Algumas pessoas necessitam não só de regras de conduta, mas de noção da função de cada aplicativo, entre elas, EU!

Por exemplo... não adianta querer dar lição de moral em alguém pelo Facebook. Eu já fiz isso e sei que a opinião da pessoa não vai mudar porque eu estou colocando textos reflexivos ou com indiretas. Simplesmente delete, bloqueie ou ignore caso não concorde com algo. Amiga minha me contou que a limpeza da timeline dela foi grande após visualizar tantas opiniões machistas, homofóbicas ou racistas... acho que ela está mesmo é na "tolerância zero"! Já eu tento ver o lado bom das pessoas e lembrar como seus posts eram interessantes antes dela replicar as coisas que o Bolsonaro posta por exemplo... tenho uma memória bem fraca na realidade: nem me lembro!

Essa mesma amiga conta que chamou algumas pessoas para dizerem diretamente para ela aquilo que só falam na internet abertamente. Pessoalzinho é bem corajoso na rede e assume pouco seu papel na vida real. Nisso ela tem toda razão! Você passa pelo sujeito na rua e nem imagina que ele defende a volta à ditadura! PQP!

Daí, de um jeito divertido, resolvi classificar os meus amigos (os que sobraram) pelas suas atitudes na internet. Relacionei isso com fatos ou personagens dos anos 80. Vê se você se reconhece!

Mestre dos Magos - Aquele que manda mensagem no inbox e, quando você vai responder, ele já está offline. Geralmente as mensagens dele provocam em ti uma vontade enorme de conversar ou ter a sua opinião mas o cara sumiu na melhor hora!

Flash - Você acabou de postar alguma coisa no calor da emoção com erro e o seu amigo mais crítico já até curtiu ou já te corrigiu discretamente no inbox.

Tic tic nervoso - É o teu amigo que curte todas as suas fotos, todos os seus posts e, depois de dias sem entrar no Instagram, só dá a carinha dele lá quando você clica no coraçãozinho. Ah, ele não fez isso só com você!

Bozo - Cheirado, é o rei da gracinha! Pior é que ele faz falta no grupo quando deixa de mandar um audio com uma piadinha.

Gaguinho - No wattsapp manda palavra por palavra, que no total não dá uma frase inteira. Você passa o dia esperando para saber a fofoca inteira!

Mr. M - É aquele que replica as coisas mais esdrúxulas sem ler o conteúdo todo, fazendo sua timeline ser pura mágica, de tanta ficção. Você acaba acreditando!

Tele Tubbies (acho que isso é 90) - A timeline dele é só felicidade, coisas coloridas e gays. Geralmente é o amigo virtual mais divertido!

Tititi - Dispensa explicações. Segue "Miga, sua loca"!

Estante Menphis (essa pra designer) - É encontrada dentro da Vogue

Playmobyl - Ele tem vários, anda de carro, de barco, já apareceu com cocar e chapéu de cowboy.

TV Colosso (acho que é 90 também) - Só publica coisa de cachorrinho.

Wally, o gambá - já foi deletado por metade dos seus amigos, de tão insuportável.

Hardy - Se lamenta de tudo na internet: "Ó vida, ó azar!"

Leão da Montanha - O cara leva um fora e: "saída pela direita!" (isso tem duplo sentido)

Penélope Charmosa - Você só vê foto da bonita posando, de batom, com frases de efeito!

Agente 86 - Seu Facebook não tem quase nada e o cara está o tempo todo online

Mônica - Dá coelhada em quem aparece no grupo!

Felícia (acho que é 90 também) - Só manda coisa fofa, desde coelhinho da Páscoa, até florzinhas te desejando Bom Dia, mas enche a memória do teu celular... A Felícia é a tua mãe, a tua tia ou a tua sogra, geralmente!

Barbie banho glamour - A timeline da bicha é só riqueza e ostentação.



segunda-feira, junho 20, 2016

Fazer e mudar: conjecturas de uma vida calcada em mudanças

Eu não aceito desculpas à falta de tempo. Na realidade eu tenho muito pouca paciência para desculpas. Isso chega em um nível em que, quando eu tenho que dar uma desculpa para algo que eu (ainda) não tenha feito, me encho de vergonha e me questiono muito!

Esse post faz parte do tamanho da insegurança que eu tenho em relação ao meu retorno para o Brasil. Escrevo isso em um tom de desabafo. Ela começa pelo fato de que a impaciência é parceira da pressa. Será que eu voltaria para a mesma realidade com outra configuração ou simplesmente deveria aceitar a lentidão das coisas, a falta de compromisso e as eternas desculpas? Bem, nessa reflexão filosófica, me coloco aqui numa posição bem difícil! Só porque aqui eu sou dona do meu tempo? Esse limiar, ao passo que serve de carga para ao meu maior dom, o de procrastinar, me enche de responsabilidades frente às apostas que em mim foram feitas.

Quando eu estava para vir para cá as inseguranças eram obviamente outras. Mas a vontade do novo me enchia de projetos. O mudar de casa, o mudar de cidade e, agora, o mudar de país, sempre fizeram parte da vida da minha família, só que isso dá uma série de medos. Com a idade, o resgate ao que é rotineiro serve como uma espécie de infraestrutura. Então, onde morar, como comer, quanto vou gastar, são preocupações de quem ainda tem muito a crescer e aprender com a jovem que mora dentro de mim mesma. O interessante é que isso agora não faz parte do retorno, apesar da situação pretender-se totalmente inovadora!

Usei a palavra inovação no último parágrafo de propósito. O "novo" está sempre associado com algo que ficou no passado. E o que é a inovação, senão a repaginação daquilo que a gente já conhece? Pois inovar presume-se em dar amparo àquilo que desconforta o ser humano.

Aí eu paro para ver o ritmo dos locais aonde eu vivo. Tudo acontece no seu tempo! O professor da universidade onde eu estou se aposentou com as pessoas fazendo uma linda homenagem para ele em sua "última aula". Só que esse cara deixou um legado riquíssimo formado de profissionais orientados por ele algum dia, teses e teses nas quais ele não só foi coadjuvante como foi julgador e mais de 10 livros publicados, nos quais ele foi autor principal, fora os que ele colaborou. O professor está entrando na casa dos 80 anos e me confessou que começou tudo isso quando ele ingressou como professor adjunto na faculdade, com 47 anos! Eu tenho 41. Me resta um tempo aí... alívio! Porém, olhando o ritmo desse homem é que me traz hoje a documentar o modus operandi dos andaluzes.

Algumas vezes cheguei ao escritório que divido com esse professor mencionado e ele estava dormindo, não um sono profundo, mas tirando uma leve soneca; a famosa siesta. Não teve um só dia que ele estivesse ficado na universidade até mais tarde do seu horário, mas é certo que ele chegava pontualmente cedo para dar as suas inúmeras aulas! Sua mesa sempre estava cheia de papéis, que se tratam de trabalhos para corrigir, copiões de teses, provas etc... daí se vê a quantidade de tarefas diárias que ele acumulava. Foi ele mesmo o autor de muitas frases que me fez pensar, como a do assunto em questão: "devemos escrever todos os dias para exercitar o pensamento". E não é que dá certo? Acho que o segredinho está nisso, como podemos tomar este ensinamento para todas as nossas coisas da vida. Exercitar todos os dias para manter o corpo em forma, raciocinar sobre todas as suas atitudes e, o mais importante, fazer para poder errar e depois acertar... sair do mundo das idéias e parar de projetar, mas executar!

Vemos todos os dias pessoas muito boas naquilo que fazem. Já me peguei pensando várias vezes enquanto pessoas que eu admiro falavam, coisas do tipo: "Onde eu estava e o que eu estava fazendo enquanto esse cara lia esse tanto de coisas?" ou "Aonde eu estava que eu não vi tudo isso que esse cara viu?"... É, o que faz com que eu siga admirando alguém é a capacidade que essa pessoa desenvolve em fazer coisas que eu tenho tanta dificuldade em fazer. E, como eu disse um dia desses em rede social: "O que faz as pessoas admirarem ou não umas às outras é o que elas fazem por elas mesmas". Percebi que os seres mal sucedidos são vítimas das suas fraquezas e isso é muito triste. Digo isso porque quanto mais se deve investir em si mesmo, mais cercado de gente te admirando o sujeito estará. E, quando esse cara coleciona fracassos, segue sozinho. Porém, há um remédio que deve ser usado com moderação: o pedir ajuda. Mas a dose deve ser empregada corretamente, aceitando e utilizando. A pessoa às vezes até pede, mas acaba abandonando o uso e ficando doente... frustrado.

Daí, escrevendo isso me passa um sem número de fatos ocorridos durante a minha vida em que fui vítima desses pensamentos também. Só que, com toda a fama de teimosa, aplico a ajuda na veia, como um remédio dolorido, tipo BEZETACIL. Só tem uma coisa... a receita deve vir do especialista certo, aquele cara que acumula êxitos... aquele que eu deva sempre me espelhar e admirar.

Quem me conhece sabe a quantidade de reviravoltas que ocorreram na minha vida. Porém, a Poliana velha que vos fala, é aquela que segue tentando, pulando de casa em casa, acreditando no universo, que tanto conspira! Esse post pode servir de armadilha, pois corro o risco de ser pedante demais me fazendo parecer estar acima das outras pessoas. Muito pelo contrário, a título de esclarecimento, sigo agora trabalhando as minhas maiores dificuldades, tentando vencê-las todos os dias. Porque cada dia que se acorda morando só em um país diferente, está longe fisicamente das pessoas que você mais admira. Luta diária!

Então, façamos o seguinte... acumulemos as experiências, dominemos os nossos inimigos e respeitemos o nosso próprio tempo. Sim, porque muito mais do que o ritmo do outro, o nosso próprio é a principal ferramenta, independente das expectativas dos seus admiradores.

Porque é o que eu estou fazendo por mim mesma.... todos os dias.

terça-feira, junho 14, 2016

Inovação no interior (da alma)

Fui bem profunda ao confeccionar este título, tentando na medida do possível, não ser passional. Mas não tem como! É que eu hoje me deparei com um email de um colega, ex-aluno, ex-orientando, que depois de vir me "cutucar" há semanas, está provocando o meu estar Kitty, despertando as minhas incomodações. Como ele mesmo disse, Kitty sendo Kitty, ao já querer objetifcar as coisas. Não sei o seu desejo, caro Elvis, mas o meu é este aqui... não deixar passar uma linha!

As indagações de Elvis vêm no meio de alguma coisa que estou fazendo e, em se tratando das minhas pesquisas recentes e à minha trajetória, todas estão relacionadas ao ensino. As perguntas são sobre o mercado da região, sobre experiências e linguagem. De uma certa maneira, acredito que elas se relacionam, porque o ser humano está no centro da questão. Não querendo divagar aqui no ambiente da Antropologia, até porque eu não tenho instrumento para isso, a minha aposta para qualquer problema é sempre o sujeito.

Hoje o questionamento foi sobre um comerciante querer inovar ou não, frente às novas ideias de uma geração que está crescendo tecnológica. Na minha opinião, é um erro quando inovação é aliada à tecnologia diretamente. Não é porque um supermercado não tem um site para vendas que ele está deixando de ser inovador. Não é isso, mas justamente a resposta está no porquê dele ter ou não um aplicativo. Pontuei algumas coisas pro Elvis e reflito sobre elas agora.

Toda a problemática existente na maioria das empresas nas cidades de interior é a zona de conforto aliada a falta de costume de pagar por serviços. Aliás, nem sei se esse é um típico problema de interior. Acho que é um problema brasileiro mesmo. Todos nós designers recebemos propostas de negociação dos valores de trabalhos porque a concorrência (desleal) está batendo à porta. Além disso, é mais comum alguém pedir desconto na costureira do que na loja de ferragens. É como se o produto tivesse mais valor do que o serviço prestado. Desconto até se pede, mas tem um limite, uma oferta, porque a precificação em cima do produto está baseada em uma margem de lucro. E o serviço?

Tem uma outra referência que é a da informalidade na prestação de serviços e uma desonestidade iminente. Para começo de conversa, existe aí um tal famigerado B.V. (Bonificação por Volume), que é uma "comissão" oferecida pelo prestador de serviços ao designer pela "indicação" de uma gráfica, por exemplo, que se, não aparece em uma nota fiscal, é ilegal! Então, as agências de publicidade e profissionais de criação recebem um valor de 10% ou 20% porque seu trabalho não está sendo bem pago. Tem um porém... o pagador não sabe disso. Ou seja, não sou eu a dizer a respeito do que é certo ou o que é errado, mas para tecer alguma opinião como professora e profissional de Design, digo: "é feio", pra não dizer: "é crime!" Então, como fazer o contratante pagar pelo seu serviço, se o máximo que você está fazendo é querendo "levar algum" na veiculação? Só digo uma coisa... isso está mudando... Resumindo, para se fazer confiar, o cara deve se fazer confiável! #FKDK

Bem, agora se tratando diretamente do caso em análise, talvez o empresário não invista em inovação porque simplesmente não a conheça. Mas essa tal palavra aí mora na pesquisa. E não é somente a pesquisa do tipo quantitativa, que é a que ele conhece quando dói no bolso. Digo a pesquisa que pergunta os "porquês" e o "como", que merece respostas de satisfação. Será que o dono do supermercado está preparado para ouvir de um profissional que está no interior do estado? Será que ele pagaria para ouvir somente de grandes órgãos e paga por isso? Quem está preparado para oferecer isso? Quantas vezes o empresário é convidado a refletir?  Será que se os profissionais não começarem a cobrar honestidade uns dos outros não se fariam mais fortes? Fica em aberto isso aqui...

Agora, existe também o comércio ou varejo que aposta na boa relação com o cliente, mas necessita de "um toque" para melhorar com os próprios funcionários. Isso porque o time que "está na linha de frente" é o que melhor vende o negócio. Já presenciei contratados enviando clientes para a concorrência. E aí, como está o seu colaborador? Algum profissional de criação já fez essa pergunta?

Então, há muita coisa a se fazer. Um dos pontos a se observar é a auto-estima do profissional do interior com a capacitação dele para poder sugerir inovação humana ao empresário. Como disse ao Elvis, se as pessoas começam a discutir sobre as plataformas CD/vinil/MP3 é porque está faltando a música, pois todos sabemos que tem lugar para qualquer mídia, digital ou não. Vide as fábricas de vinil reabertas, o retorno à fotografia analógica e o revival ao gibi impresso (talvez eles nunca deixaram de existir).

O que a nova geração precisa, já que está imersa nas tecnologias porque cresceu com elas, é sobre relacionamentos, pois muito se ganha empurrando o carrinho do supermercado. Talvez mais do que nos gadgets, trancafiados nos seus apartamentos, escritórios ou agências de publicidade.

Concordo com o Kaio Freitas quando diz que o problema nem sempre está no empresário! Vale ler seu texto a respeito do mesmo tema! (Kaio também foi meu aluno) https://medium.com/@kaiofreitas/a-culpa-nem-sempre-%C3%A9-do-cliente-9cd42bbffa99#.atqsl2n00

Aliás, Elvis, qual é o teu endereço físico pra eu te mandar uma carta?


sexta-feira, junho 10, 2016

Sobre acidentes, peripécias & outros desvarios no estrangeiro

Post dedicado à minha irmã médica e à amiga Juliana Borges, a melhor fisioterapeuta que conheço: ambas leitoras ímpares de Raios-X!

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa muito desastrada! Tão desastrada que sou capaz de tropeçar com o dedo (da mão) como já aconteceu inúmeras vezes... Acontece que sou daquelas pessoas que compram carro grande e nunca se acostumam com o tamanho, batendo em poste e em outros carros. Pois é, mas o tamanho do meu chassi é defeito de fábrica, assim como o sensor de ré (opa!?), parabrisas, entre outros periféricos que auxiliam na segurança. Mas agora o airbag é muito maior, assim como os estofados. E isso já me salvou!

Antes de contar essa história vou dar um giro no passado. Cada vez que eu caía, minha mãe quando ficava sabendo entrava em pânico. Não, não era por medo de perder a filha ou porque ficava preocupada com o bem estar da cria... ela ficava apavorada em gastar muito pra arrumar os dentes. Um dia ela disse para a minha irmã... aliás, repetia inúmeras vezes: "gastei um carro ZERO nessa boca!" Foi quando num famigerado dia que, eu jogando basquete na quadra do colégio no mesmo horário que ela dava aula, caí e bati com o que no chão? O dente da frente, é claro! Adentrei à sua classe de História do Brasil (onde estavam muitos amigos meus) com a mão na boca... já era! Só trincou... mas não escapei da frase: "já gastei um carro ZERO na boca da tua irmã, agora você!?"

Deixa eu explicar essa coisa do carro ZERO... é que naquela época, aparelho de dente se pagava com um salário mínimo por mês, além de uma entrada "gorda" para custear os moldes e as radiografias panorâmicas do seio da face. A primeira vez que ouvimos isso, foi quando a minha irmã enrolou seu aparelhinho no guardanapo para comer pizza em um restaurante que ficava no alto de um posto na nossa cidade. (Sorrento, barramansenses!) Pode apostar... papai e mamãe reviraram o lixo pela madrugada adentro e acharam...

Para quem já usou aparelho móvel, com certeza tem uma história tragi-cômica para contar. A minha, no caso, foi quando eu parei para desenhar na mesa do meu quarto, que continha acima uma prateleira com uma coleção de cervejas (cheias). Não sei o que aconteceu, mas isso tudo veio abaixo, na minha cabeça, no desenho e, é claro, em cima do aparelho móvel, que de certo não estava dentro da minha boca! Naquele dia, além de muito esporro, escutei três célebres frases contínuas: "Essa mesa está com os dentes certiiiinhoooossss!", "EIXTE quarto parece um botequiiiimmmm!"... a outra dá para advinhar: "Gastei um carro ZERO NEIXTA BOCA!"

Ah, além de desastrada, tenho medo, ogeriza, pânico de sangue... e de agulha! Mas isso eu vou deixar para outro post...

A primeira que tenho que contar do estrangeiro foi que descobri a bicicleta como meio de locomoção e de exercício. O negócio é tão bom, que virou meu principal meio de transporte. Sevilha é toda plana, com muitos parques e a violência é ínfima perto da realidade do Brasil. Às vezes volto de bike para casa, que, além de uma opção barata eu chego rápido. Sempre evito o álcool e direção, só nessa brincadeira eu já caí três vezes. Uma vez foi em uma avenida grande, perto da minha casa, voltando da faculdade. Sou "baixota" mas gosto de manter o banco da bicicleta um pouco mais acima para ter mais conforto na hora de pedalar. Isso faz com que eu fique na ponta dos pés e, todas as vezes que eu tenho que parar, recorro a um apoio: uma calçada, um toco, um tijolo, um poste... um treco branco que divide a rua no qual se coloca água dentro para pesar... mas estava vazio. Eis que tento me equilibrar, tentando não cair ou derrubar o negócio, apoio na grande que não tem a menor firmeza: chão! Olho para trás e vinha uma legião de adolescentes... seus 14 anos... uns 30 deles! Aff...

A próxima foi mais séria. Amiga bêbada no bar, não se aguentando nas pernas, resolvo levá-la em casa. Sevilha tem seus prédios velhos e escadas gastas de mármore ou pedra. Descendo a escada, depois de algum trabalho em colocar a amiga para dentro, escorrego de chinelAs Havaianas nos três últimos degraus, fazendo bater a bunda com toda força e sair rolando... daí a vantagem do "estofado" maior. Volto para o bar donde estávamos para dar notícia, fingindo que nada acontecia, mas doía, estava inchado e incômodo! Saio para procurar um taxi e não acho no caminho, não consigo mais andar, ligo para seguro, ambulância, taxi... desmaio... acordo com um bom homem me acudindo: Antônio. Vou de ambulância para um hospital igual ao do Brasil... logo fui liberada com a indicação de compressas de gelo e anti-inflamatórios. Agora minha bunda, que já não era segredo para ninguém, também já é bastante conhecida em Sevilha: "E aí, como vai sua bunda?"

Pula... meu seguro é ótimo, está marcando exames, consultas, pagando remédio, transportes... uma maravilha! Paguei caro nessa coisa depois da notícia daquela mulher que caiu de balão na Capadócia e não tinha como voltar pro Brasil. Daí, ressonâncias, medos  e raios-X, recebo o diagnóstico da dupla de saúde citada acima: "desvio de coluna postural, ossos normais, mas... o que é isso aqui?" "Gente, que coisa é essa nesse exame, gente?" "Um anel?" "Kitty, você engoliu alguma coisa?". Daí vem um termo médico para salvar: "Me parece um dispositivo alheio". Todo castigo pra corno é pouco, né!?



domingo, maio 08, 2016

Carta aberta à minha mãe - 1

Mãe, hoje é o seu dia.

Todos já sabemos disso, até porque o segundo domingo de maio nunca foi um dia qualquer para nós. Primeiramente porque a loja sempre vendeu muito e, nos seus últimos anos de vida as semanas que antecediam esta data sempre eram estafantes para você. Dias que trouxeram benefícios, mas também fizeram com que a sua vaidade fosse acabando, levando embora suas unhas, seu cabelo e a sua vontade de ficar bonita! Creio que as mães são assim... se esquecem um pouco delas por causa da gente!

Sobre as ausências, já sabemos falar de todas de cor e salteado, se tornando verdadeiros clichês. Por isso eu hoje tive muita vontade em falar das presenças. Para aliviar a dor, que não se prontifica a ficar mais fraca, eu estou fazendo o exercício de imaginar como seria se você estivesse aqui, depois desses... 18 anos? É isso?

Uma criança, se nascesse em 1998, hoje estaria virando um adulto. Quanta responsabilidade eu tenho, minha mãe! Mas parece, que mesmo na maioridade o nosso Brasil está desaprendendo a viver! A senhora não acreditaria  nas coisas que estamos passando... Não vou me ater a falar de política, mas é inevitável te contar que tem gente que acredita (ou quer vender a ideia) de que a ditadura não aconteceu. Pior... estão querendo que ela volte como uma resposta às besteiras que andaram fazendo com o nosso país! A senhora se indignaria dos filhos da pátria que tanto se empenhou em educar! A cada ligada na televisão, todas aquelas palavras que você sabia dizer, realmente seriam ditas! Sim, as dizemos... até aquelas que a senhora não gostava! Tá f...

Porém, uma coisa ficou melhor para a gente... não se pode mais fumar em locais fechados ou cobertos. A senhora com certeza xingaria, mas pouco a pouco iria se acostumar. Eu teria até a esperança que você diminuísse a quantidade de Minister diários. Que aliás, cá entre nós, como aumentou o cigarro! Desde quando você se foi o povo fumador está diminuindo a fumaça porque o dinheiro curto não se pode mais queimar.

Estou escrevendo de um computador direto da Espanha. É, mãe, eu consegui! Não foi para a Itália como você queria, mas fui acolhida aqui por um professor jóia, que ironicamente se chama Jesús... mas é ateu! Bem, não é necessário ter crenças para que as pessoas sejam boas umas com as outras, né!? Apesar de sermos católicas, somos muito compreensivas com o outro e respeitamos as diferenças, assim como foi mostrado, muito mais do que falado, dentro da nossa casa! Jesús é ótimo comigo, compreensivo e um cara muito simples, apesar do seu alto grau de conhecimento! Estou aprendendo demais com a sua generosidade, proveniente dos verdadeiros professores, assim como você foi!

Como é difícil viver fora do nosso país! É tudo muito diferente mas o que prevalece aqui é o afeto, apesar das diferenças culturais. Estou procurando me manter equilibrada, apesar da saudade de tudo. Mas saudade é uma coisa que estamos bem acostumadas a lidar, né!? Não se preocupe! Porém, se não fosse pelo pai e pela Dany, eu certamente não estaria aqui. Está tudo sob controle apesar do esforço estar custando 4,5 vezes mais. É, o Euro aumentou demais, assim como o dólar! Não queria te dizer, mas aquela inflação voltou, porém está mascarada. Está aumentando tudo... nosso país está voltando a ficar desacreditado, mas eu não desisto!

Uma coisa da qual eu me orgulho bastante é do legado que você deixou para mim. Sou professora como você e amo demais isso! Você com certeza se afeiçoaria dos Dantons, Otávios, Carlas, Matheus, Elvis, Betinhos, Danieis... meus filhos adotivos... que não valem nada, assim como a mãe emprestada deles! Que pessoas viraram esses meninos... que grandes homens e mulheres eles se tornaram... Uma legião deles estava na minha despedida quando eu vim pra Espanha... se amontoando comigo, igualzinho como você fazia com os meus amigos e com os seus alunos mais queridos!

Mãe, você não acredita... não tenho filhos, nem a Dany. Mas a senhora se orgulharia demais do caminho que a gente tomou! A sua filha mais velha brinca de Tupã... quanta criança ela já livrou das enfermidades brancas... quanta vida ela já salvou! Que médica ela se tornou! Ela é uma pessoa tão amada... orgulho da família! Só estamos em busca de um namorado bacana pra ela, porque os homens de hoje... só xingando! Mas pode deixar que disso eu estou cuidando pessoalmente!

O pai está ótimo! Descobrimos uma diabetes há pouco tempo, mas que saúde esse homem tem! Meu Deus! Caminha todos os dias e é uma pessoa digna de se espelhar! Hoje ele "fala mais do que pobre na chuva", é admirado por muita gente, além de ser uma das figuras folclóricas de Barra Mansa! Figuraça! A Dany está de olho nessas coisas da saúde, mas acho que é o que menos devemos nos preocupar!

Suas amigas sempre falam de você! É só engraçado que muitas delas me param na rua e choram a sua ausência! Que pessoa querida você era! Sou muito orgulhosa por ser sua filha! Você é sempre lembrada pela nossa família como uma pessoa espirituosa, divertida e autêntica! Mas na moral, acho que estou me saindo à você! Dá um pouco de medo quando me olho no espelho... como estamos parecidas... Não levo desaforo para casa, mas estou aprendendo a equilibrar esse gênio... é melhor para todos!

Bem, vou terminando por aqui porque há muito a fazer no dia de hoje! Sevilha só chove, mas estou muito bem instalada graças a Deus!

Obrigada por tudo, por isso tudo e pelo aprendizado na sua ausência! Nós estamos tentando conviver com esse vácuo ainda, que ninguém está preparado, mas que sirva de lição a todos que a presença ou a ausência traz o benefício da existência da mãe, aquela que não se pode negar... uma junção cósmica na qual regula as nossas atitudes. Porque da mãe ninguém esconde nada!

Te amo!

quinta-feira, maio 05, 2016

Sobre ansiedade, TPM e as tecnologias

Faz um pouco de tempo que eu não paro para escrever as tão necessárias amenidades em razão do meu cérebro estar ocupado com outras coisas, não tão amenas assim.

O que passa é, como já disse há algum tempo, que quando se tem algo primordial a fazer, pessoas auto-sabotadoras como eu se afeiçoam pelas gavetas desarrumadas, pela pia cheia de louça para lavar e pelos assuntos alheios. Acaba que nada que demanda urgência ganha a atenção devida!

Quando se está vivendo fora do país os problemas (dos outros) ganham uma dimensão enorme! Aliás, tudo ganha altas dimensões, inclusive a falta de dinheiro e a política brasileira. Bem, nessa oração anterior os tamanhos estão bem reais, mas a nossa cabeça duplica ou triplica o problema!

Dá para parar para pensar que o tamanho da ansiedade é imensamente igual à quantidade de problemas tecnológicos que surgem!? Estou dizendo isso porque estamos na semana em que bloquearam o Wattsapp pela segunda vez no Brasil. E, diante das soluções necessárias a serem tomadas, eis que surge a problemática da falta de comunicação iminente.

Bem, é uma semana de pagamentos, de entregas e muita ansiedade, somada, é claro, à tão famigerada  TPM policística! Sem contar com a quantidade de percalços que não são gerados nem por mim, nem por software algum, mas pelas outras pessoas que pilotam essas máquinas! Elas são muito boas em achar mecanismos fortuitos às suas más notícias!

Estou aqui hoje, diante de diversas situações e suas imensidões no Brasil! Mas até para pagar promessa está difícil! Tive que subornar (com a minha moeda afetiva) o padre na busca da totalização da minha novena. Vai vendo!

Quem vos fala é a Poliana Sundance de Sevilha, originada de Barra Mansa e que agora duvida da capacidade da má notícia chegar! Que Deus proteja vocês, porque o tamanho da minha ansiedade e compatível com o tamanho do meu botão... do foda-se!